Unidade 1 - Retrospectiva Histórica da Educação Especial
Relate sua experiência com educação especial e/ou com inclusão. Crie um novo pbwiki para fazer esse depoimento e encaminhe o endereço para a tutora da interdisciplina. Sugerimos, também, que linke esse novo pbwiki no sidebar de seu pbwiki pessoal.
O depoimento precisa ser sobre processos educativos que vocês mesmos vivenciaram, seja na sua escola, seja na sua sala de aula, seja na sua família ou com amigos. Pode ser feito na forma de texto, audio ou vídeo. Podem incluir registros fotográficos, lembrando porém, que as imagens dos alunos devem ter autorização dos pais ou responsáveis para serem colocadas na Internet. (Caso não tenham por favor editem as imagens, colocando uma tarja sobre os rostos ou outro mecanismo para preservar a privacidade e identidade dos sujeitos.) Um outro aspecto importante é mudar o nome das pessoas envolvidas para preservar a identidade das mesmas.
Relato de uma experiência com Educação Especial:
Em minha vida profissional, não tive muita experiência com portadores de deficiências, sendo esta resumida apenas uma, quando atuava na educação infantil.
Portador de deficiência auditiva, Gabriel ingressou na Escola na qual eu trabalhava, por volta dos 4 anos de idade e permaneceu nela por dois anos até iniciar sua vida escolar no ensino fundamental em escola regular.
O menino não nasceu com deficiência auditiva, este problema iniciou-se quando tinha 3 anos de idade quando, em função de uma meningite, teve febre muito alta afetando sua audição em 90%.
Na época, sua mãe professora de rede estadual, me forneceu muito material teórico sobre deficiência auditiva, inclusive marcou horário com a Fonoaudióloga que acompanhava o tratamento de seu filho para que eu esclarecesse duvidas sobre como agir em determinadas ocasiões em sala de aula.
As entrevistas que realizava com a Fono, me auxiliaram bastante, pois me deixavam mais segura ao impor limites ao menino, que por vezes se mostrava muito agressivo comigo e com colegas. Estes momentos de agressividade ocorriam quando não compreendíamos o que queria nos comunicar com seus gestos, quando alguém sentava em sua cadeirinha ou colocava a mochila no lugar de outro colega.
De fato toda esta impaciência tinha uma explicação, a Fono me informou que a deficiência, especialmente a auditiva e a visual, cria nas pessoas certa mania de organização. Este exagero por manter tudo no mesmo lugar, possibilita aos deficientes estar mais seguros, pois ao conviver em um ambiente onde os objetos serão encontrados com facilidade se torna fundamental pra quem possui alguma deficiência.
Gabriel era muito atento a tudo que ocorria a sua volta, a aproximação de alguém diferente na sala de aula, ou a indisciplina de algum colega era percebida instantaneamente por ele. Era como se os outros sentidos tivessem sido ampliados com sua carência auditiva. demostrava muita habilidade em trabalhos manuais.
Era muito determinado e genioso, características que, segundo a Fono, auxiliariam na sua vida adulta, pois não admitiria futuramente ser inferiorizado na condição de deficiente.
Durante os dois anos que convive com Gabriel, não encontrei muitas dificuldades para conduzir minhas aulas, aos poucos fui desenvolvendo habilidades para garantir que ele se envolvesse nas atividades e acompanhasse os colegas. Procurava sempre falar me posicionando em sua frente olhando em seus olhos, pois a leitura facial, especialmente dos lábios, também era um grande auxiliar na sua compreensão.
Com relação aos colegas, não encontrei nenhuma resistência, muito pelo contrário, todos queriam ajudar e auxiliar o colega especial. Lembro-me quando preparamos uma apresentação para o Dia dos Pais em forma de teatro musical, e ele desempenhou sua função com perfeição.
Esta experiência foi muito gratificante, admito que o medo e a insegurança estiveram presentes no inicio de nosso convívio, porém aos poucos aprendi como melhor chegar até ele e acredito que os colegas, apesar de pequenos, também aprenderam muito com o amigo especial.
Também considero que o auxilio permanente de sua mãe foi de suma importância para que esta experiência tenha sido bem sucedida, pois ninguém melhor que os pais para saberem como agir em certas ocasiões ou para entenderem o porquê de certos comportamentos de seus filhos.
Lembro-me que quando ingressou no ensino fundamental em escola regular continuou freqüentando a APAE paralelamente, e sua mãe sensibilizada pelas limitações do filho e a sua impossibilidade de acompanhar a turma nas atividades escolares, pediu-me para que acompanhasse o menino em sala de aula diariamente fazendo um atendimento particular a ele, reforçando orientações da professora e colaborando no que achasse que fosse necessário.
Na ocasião, a escola pública que o aluno foi matriculado não se opôs a atitude da mãe, porém em função de outros encargos que tinha na época, não pude realizar esta tarefa.
Atualmente, com 13 anos, o encontro apenas vez que outra no ônibus acompanhado de sua mãe a caminho da APAE de Torres. Ele me sorri e faz com as mãos um sinal de positivo. Já consegue pronunciar algumas palavras e construiu laços de amizade com passageiros assíduos do ônibus, inclusive o motorista. Fico feliz em saber que se tornou um garoto forte e vistoso e que de certa forma colaborei para que esta realidade fosse possível.
Leituras desta unidade:
* História, Deficiência e Educação Especial de Arlete aparecida Bertoldo Miranda
* Jean Itard e Victor do Aveyron: uma experiência pedagógica do século XIX e suas repercussões de Luci Banks-Leite e Izabel Galvão
Educação especial e o medo do outro: attento ai segnalati! Claudio Baptista In: BAPTISTA, Claudio. Inclusão e escolarização: múltiplas perspectivas. Porto Alegre: Mediação, 2006. [Este livro está disponível na biblioteca dos pólos].
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