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Unidade 7

Page history last edited by Gislaine Cardoso Aguiar 2 years, 10 months ago

Unidade 7 – Práticas Pedagógicas em Educação Inclusiva

 

 

Estudo de Caso

Sua tarefa nesta unidade será dar continuidade ao registro escrito iniciado  contemplando os seguintes pontos:

  • Avaliação

a)      Que aproximações existem entre as idéias trazidas nos textos sobre avaliação e seu estudo de caso?

b) Quais as contradições em relação ao que foi observado?

c) Como é feita a avaliação do sujeito da pesquisa durante o ano letivo (parecer descritivo, por exemplo)?

d) Essa avaliação dá conta das possibilidades e competências do sujeito observado?

 

 

 

 

        .... CONTINUANDO A ANÁLISE COM O ESTUDO DE CASO...

 

      Após a leitura dos materiais sugeridos, me remeto a meu estudo de caso e a metodologia utilizada na escola para avaliar o aprendizado e o rendimento do aluno observado. Percebo que, mesmo a escola tendo assumido o desafio da inclusão e tendo adotado muitas mudanças curriculares a fim de incluir este aluno, a avaliação a que era submetido, não contemplou muitas mudanças, exceto pela adoção do parecer descritivo e pela garantia do pai ou responsável na entrega deste. Acreditávamos que o dialogo com a família estaria qualificando as amostragens dos avanços cognitivos de Ricardo ao longo do trimestre ao passo que explicitaria melhor nossas medidas avaliativas para com ele neste período.

      No entanto, após as leituras realizadas percebo que muito mais há que ser feito para que este aluno esteja recebendo da escola todo apoio que precisa e tem direito. Segundo Lenise Henz no texto A rede de interações como concepção pedagógica: alternativas no espaço da sala de aula com alunos em situação de desvantagem”, da prática do professor depende a verdadeira inclusão, pois ele é o agente operacional deste processo e possui da possibilidade de oportunizar momentos interativos e interpessoais  no ambiente da sala de aula.

 

“Ao professor caberá pautar suas ações em um campo de atuação que vá além da mera transmissão de conhecimentos. Por conseguinte, ele será exigido a pensar o espaço de sala de aula como um ambiente educativo desafiador, baseado na cooperação, na solidariedade e no respeito às diferenças.” (Pg. 05)

 

      Como afirmei em outras unidades, não estou com este aluno em minha sala de aula atualmente, mas estou a par das estratégias pedagógicas utilizadas pelos colegas docentes para que a inclusão deste seja verdadeiramente consagrada.

      Cabe ressaltar, porém, que Ricardo não exige de muitas mudanças pedagógicas e função de suas desvantagens, devido a sua deficiência ser leve, contudo nos mobilizamos em fazer das aulas mais interativas para que ele estivesse desenvolvendo suas habilidades na interação com o outro bem como descobrindo diversas outras que não conhecia.

      Os trabalhos em grupo mostraram ser uma possibilidade de acesso deste menino ao conteúdo escolar, onde o dialogo e a troca entre pares permanente auxilia na sua compreensão e expressão oral.

 

“Para ensinar a turma toda, deve-se propor atividades abertas, diversificadas, isto é, atividades que possam ser abordadas por diferentes níveis de compreensão e de desempenho dos alunos. Debates, pesquisas, registros escritos, falados, observação e vivências em grupo são alguns processos pedagógicos possíveis nessa perspectiva.” (Diversidade e Currículo, Lenise Caçula Pistóia).

 

      Busquei por informações com a professora de Língua Portuguesa da escola se utiliza de provas orais com Ricardo. Me contou que não utiliza desta estratégia pois sente que não há necessidade para tal , haja visto as capacidades do menino e realizar uma prova escrita. Porém me relatou que a avaliação trimestral de sua disciplina se dá 70% de trabalhos (individuais e em grupos), e apenas 30% de prova escrita, ambos envolvendo interpretação de texto, estudos da língua, dentre outros. Entretanto Ricardo não se utiliza do mesmo critério de avaliação dos de mais, isto é, todos seus progressos seja na convivência, no comportamento ou no conteúdo escolar propriamente dito, são apontados como avanços importantes em seu desenvolvimento cognitivo e, por tanto merecedores de todo respeito e consideração em sua avaliação final.

      Assim, destaca Lenise Pistóia em seu texto “Diversidade e Currículo” sobre as medidas curriculares discutidas e adotadas na escola, afirmando que “(...) As decisões sobre os conteúdos, os objetivos, a avaliação, etc. são decisões ético-políticas, e não exclusivamente técnicas”. De certa forma, creio que estamos na direção certa ao contemplarmos tais alternativas avaliativas para com este aluno.

      Lenise ainda acrescenta que “para ensinar a turma toda, parte-se da certeza de que as crianças sempre sabem alguma coisa, de que todo educando pode aprender, mas no tempo e do jeito que lhe são próprios”, esta é uma certeza que o corpo docente desta escola tem como lema, não somente com alunos PNEEs como também para qualquer outro aluno que venha ser matriculado nesta escola.

      Não há como negar as especificidades singulares que acompanham cada aluno que entra em nossa sala de aula. Cada um deles possui uma bagagem espetacular que deve ser considerada, para a partir dela avançar para novos conhecimentos.

Bem sabemos que o desafio da inclusão não será algo simples de acontecer, da mesma forma como sabemos que para este desígnio é necessária a união de todos envolvidos neste processo, família, escola, governo. Neste aspecto avaliando meu estudo de caso e o cotidiano escolar onde Ricardo está inserido, não poderia dizer que recebe todo apoio familiar que precisa, haja visto tamanha indiferença dos pais a sua deficiência e pelo desinteresse em buscar acompanhamento especializado para suas dificuldades, também não podemos atribuir somente a família tal despreparo, já que mesmo nós docentes por vezes nos colocamos em situação contraditória com relação ao menino, hora demonstrando carência afetiva hora recusando nossa companhia ou apoio.

      Enfim, depois de todo exposto, estou convencida que o processo de inclusão é um desafio para toda a sociedade que historicamente negligenciou apoio aos deficientes.

Para que essa ação se efetive de fato, especialmente nas escolas, é preciso que o professor repense e reorganize seu trabalho, que compreenda a realidade do aluno com necessidades especiais e, principalmente, que esteja disposto a aceitá-lo de fato, para, assim, fazê-lo avançar cognitivamente, afetivamente, fazendo-o adquirir também maior independência para atuar também na vida social.

      Analisando meu estudo de caso, percebo que os avanços que vem alcançando no ambiente escolar são inúmeros, e em função destes progressos posso afirmar que mesmo em processo de adaptação a esta nova realidade, e por vezes me colocando em situação de duvida quanto a que decisão tomar, estamos na direção certa.

Como vimos ao longo do semestre as possibilidades de inserir o aluno com necessidades especiais no cotidiano escolar são inúmeras, o que deixa evidente que a inclusão é uma ação possível.

 

 

 

Leitura dos textos: 

 

* Material de apoio: ppt.

Diversidade e currículo, Pistóia (2007).diversidadeecurrículo.pdf

 

 

 

Comments (1)

Graciela Rodrigues said

at 8:16 pm on Jun 27, 2009

Parabéns Gilaine pelo seu texto, construído por reflexões a partir da prática escolar vivienciada e buscando articular com a teoria. Levanta vários aspectos relacionados a inclusão escolar que o compreende de forma complexo requerendo um trabalho que ultrapassa a sala de aula. Espero que seu envolvimento e este olhar crítico e apontando direcionamentos acompanhem sua formação e prática profissional. Observa apenas se não precisa exclui a letra "d" desta frase "da possibilidade". Abraços.

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